Harmonização entre massas e vinhos

Eis o par perfeito

Na Itália, país onde o macarrão é tão popular quanto o Papa, a bebida mais consumida não é por acaso o vinho. Esses dois elementos se complementam formando uma das harmonizações mais executadas do mundo. Porém, é preciso observar o molho que acompanha a massa para que a combinação seja perfeita.

Os próprios italianos afirmam que não existe uma regra para esse tipo de harmonização. Porém, a experiência fica muito mais prazerosa se pratos com molhos à base de carne ou tomate forem acompanhados de tintos e os elaborados com queijos ou frutos do mar forem tomados com brancos.

“O mais importante é que esses vinhos sejam leves, tenham boa acidez e não muito álcool”, esclarece Marcello lo Mônaco, italiano da Sicília e proprietário da importadora de vinhos Trinacria.

Os molhos mais comuns para o macarrão são os à base de tomate. Nesse caso, os vinhos para acompanhar pedem acidez pronunciada. Tintos como os da região de Chianti normalmente fazem bonito. Mas como o prato é simples e versátil, também aceita outras opções, como tintos feitos com a uva Merlot ou ainda rosés um pouco mais encorpados, tais quais os argentinos ou brasileiros.

Os amantes de uma boa macarronada normalmente não dispensam um molho à bolonhesa. Feito à base de carne moída, fica perfeito com a massa do tipo fettuccine ou tagliatelle. Mas pode se tornar melhor ainda se acompanhado de um tinto elaborado com a variedade Cabernet Sauvignon. Esses vinhos têm acidez presente e são encorpados o suficiente para fazer um bom casamento com o prato.

BRANCOS – Para as massas com molhos cremosos ou de queijos, a dica é experimentar com um branco, que pode ser da uva Chardonnay. Mas tintos delicados como Pinot Noir ou ainda o francês Beaujolais também são bem aceitos.

Embora menos consumidas no Brasil, as massas com frutos do mar e peixes também seguem a mesma filosofia de harmonização dos outros pratos feitos com esses ingredientes: vinhos brancos e rosés para acompanhar.

Um prato simples como o macarrão al pesto, que tem manjericão e queijo parmesão como ingredientes principais, vai muito bem com os brancos feitos com a uva Sauvignon Blanc ou Torrontés.

“Evite os vinhos pesados, caros e complexos”, finaliza Marcello lo Monaco, que no dia a dia prefere tintos feitos com as uvas Sangiovese e Montepulciano para acompanhar a sua sagrada macarronada.

GUIA RÁPIDO DE HARMONIZAÇÃO:

Uma dica para tornar a sua harmonização mais agradável é observar o molho que acompanha a massa:

TOMATE – Tintos leves e com boa acidez (Chianti, Merlot) e rosés em geral.
CARNE – Tintos um pouco mais encorpados (Cabernet Sauvignon).
QUEIJO – Brancos mais encorpados (Chardonnay) ou tintos delicados (Pinot Noir, Beaujolais).
FRUTOS DO MAR – Brancos e rosés em geral.
AL PESTO – Brancos leves e frescos (Sauvignon Blanc, Torrontés).

É verdade que o macarrão gruda se não colocar óleo no cozimento?

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Não. Na hora de preparar o macarrão, algumas pessoas têm o costume de colocar algumas gotinhas de óleo para que os fios não grudem, mas essa ideia não passa de um mito. De acordo com Zenir Dalla Costa, isso não influencia na textura porque óleo é mais leve e fica na superfície da panela. “Para que o macarrão não grude, é necessário apenas cozinhá-lo em água suficiente, aproximadamente 1 litro para cada 100 g de massa”, aconselha a coordenadora dos cursos de gastronomia do SENAC.

Foto: Getty Images